terça-feira, 17 de janeiro de 2017

TALMIDIM 017

Palavra: Metanoia

O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas!
Marcos 1.15

Jesus chamou seus talmidim para o reino de Deus. Seguir a Jesus não é tanto uma realidade que diz respeito à vida após a morte, mas implica principalmente a maneira como vivemos aqui e agora. É por isso que Jesus diz que todos os seus talmidim precisam se arrepender. De modo geral, pensa-se que arrependimento é uma tristeza profunda em razão de alguma coisa que fizemos, mas não gostaríamos de ter feito. “Ah, se eu pudesse voltar no tempo, não faria o que eu fiz” — é o que imaginamos que dizem as pessoas arrependidas. Entretanto, a palavra arrependimento usada por Jesus foi metanoia , que é a junção de duas palavras gregas: meta , que significa “além” ou “o que vai/está além”, e nous , que pode significar tanto “mente” quanto “pensamento”. A melhor tradução que ouvi para metanoia foi “expansão de consciência”. Nesse sentido, arrepender-se significa pensar diferente, adquirir uma nova compreensão da realidade, expandir a mente. O arrependimento, portanto, não é um pesar, uma tristeza, ou um lamento a respeito de algo feito no passado. Quando Jesus diz que ao reinado de Deus, você precisa pensar diferente, precisa aprender a pensar de uma maneira completamente nova”.

No interessante livro “A conspiração divina”, Dallas Willard compara a notícia da chegada do reino de Deus à notícia da chegada da energia elétrica a uma propriedade rural. No tempo em que não havia luz elétrica, o fazendeiro enterrava os alimentos ou os cobria com sal para que fossem preservados, vivia à luz de lampião e cozinhava em fogão à lenha. Mas certo dia recebe a visita de alguém que lhe anuncia: “Amigo, a luz elétrica chegou. Está acessível logo ali, na estrada principal da fazenda”. A nova realidade exige do fazendeiro não apenas aprender a pensar de maneira completamente diferente, mas também e sobretudo, viver de maneira inteiramente nova.

É isso o que Jesus está dizendo: “O reino de Deus chegou, você não pode continuar vivendo do mesmo jeito, como se o Rei não estivesse presente e o reinado de Deus não estivesse sendo oferecido e estabelecido”.

Para viver no reino de Deus é imprescindível passar pela metanoia: ter a consciência expandida, a compreensão da realidade absolutamente modificada, o que resulta necessariamente em um viver coerente com todo o universo de possibilidades que existe onde Deus está realizando a sua vontade.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 23.
Transcrição: Deivid Liberto

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

TALMIDIM 016

Palavra: Sabotagem

“O tempo é chegado”, dizia ele. “O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas!”
Marcos 1.15

Um de meus autores prediletos é C. S. Lewis. Nascido na Irlanda do Norte em 1898, Clive Staples Lewis foi professor de literatura em Oxford e Cambridge, um dos maiores escritores cristãos do século 20, um dos maiores teólogos contemporâneos, famoso por sua série de livros As crônicas de Nárnia e autor de um de meus livros de cabeceira, Cristianismo puro e simples , publicado originalmente em 1952. Nesse livro, em que conta para a sociedade acadêmica e intelectual de Londres as razões de sua conversão ao cristianismo, Lewis faz a seguinte afirmação: “Um território ocupado pelo inimigo — assim é este mundo. O cristianismo é a história de como o rei por direito desembarcou disfarçado em sua terra e nos cha­ma a tomar parte numa grande campanha de sabota­gem”.

Jesus é o rei legítimo, aquele que tem autoridade e legitimidade para governar o mundo. Mas é um rei que chega disfarçado, que chega como criança em Belém da Judeia e cresce numa família pobre na cidade de Nazaré da Galileia. O Rei dos reis, o Senhor dos senhores, a convocar seus talmidim , anunciando que o tempo do reino de Deus é chegado; o reino de Deus está próximo.


A linguagem de Jesus não se refere à cronologia. Quando Jesus diz que “o reino de Deus está próximo”, não está se referindo ao tempo daqui a uma semana, um mês ou um ano. A afirmação “o reino de Deus é chegado” quer dizer que ele está aqui, próximo de nós, ao alcance de nossas mãos. Jesus é o portador do reino. A chegada de Jesus é também a chegada do reinado de Deus.

O reino de Deus implica o reinado de Deus, o domínio de Deus sobre sua criação, o tempo quando a vontade de Deus começará a ser feita na terra como é feita no céu. Por essa razão o anúncio da chegada do reino de Deus exige arrependimento. Jesus, então, convida seus talmidim dizendo: “O reino de Deus chegou, o reinado de Deus começou, o Rei legítimo e verdadeiro desse reino está aqui. Agora você não vive mais para fazer sua própria vontade, mas para se submeter à vontade desse Rei. Venha fazer parte do reino de Deus”.

Jesus, portanto, não nos chama para o céu após nossa morte. Jesus nos chama para o reino de Deus agora, enquanto estamos ainda vivos. O chamado de Jesus exige a consagração imediata de tudo o que temos e de tudo o que somos. Mais que isso, a participação no reino de Deus implica a consagração de nossos reinos pessoais e particulares ao Rei Jesus. Aqui e agora.


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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 22.
Transcrição: Deivid Liberto

domingo, 15 de janeiro de 2017

TALMIDIM 015

Palavra: Ego

Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?
Mateus 16.24-26

Provavelmente as pessoas que ouviram essa palavra de Jesus imaginaram que ele fosse apenas mais um dos rabinos que convidavam seus discípulos exigindo lealdade e absoluta prioridade ao caminho do discipulado. De fato, Jesus está usando uma linguagem muito parecida com a dos rabinos de sua época, mas com certeza está falando de algo muito mais profundo do que simplesmente ingressar numa escola rabínica e seguir um mestre da Torá.

Aos poucos as palavras de Jesus foram esclarecendo que seguir o seu chamado era algo muito diferente do que faziam os meninos talmidim que seguiam seus rabinos. Cada vez mais, seguir a Jesus implicava ingressar num caminho de morte, e mais que isso, significava vencer a morte e voltar à vida: “Quem vive e crê em mim não morrerá eternamente”, disse Jesus. E também: “Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá”, e “passou da morte para a vida”. Jesus está se referindo a uma nova dimensão espiritual, sobre um novo nascimento, como falou ao fariseu Nicodemos.

Os que desejam ingressar nessa nova dimensão de existência, que o Novo Testamento chama de vida eterna, devem negar a si mesmos, morrer para si mesmos e então seguir a Jesus em seu caminho de morte e ressurreição.
 

Jesus é muito coerente com o que diz Gênesis a respeito do pecado do primeiro casal, Adão e Eva, que se rebelou contra Deus e afirmou seu ego acima do Eu Sou divino. O conceito de pecado original não está relacionado com mera desobediência moral. Pecado, segundo a tradição cristã, é um pretensioso grito de independência em relação ao Criador, que resulta em morte, pois Deus é a única fonte de vida. É por essa razão que o caminho de volta para Deus, isto é, a superação da morte, passa necessariamente pela negação do ego. Se o pecado é abandonar a Deus e pretender viver como se Deus não existisse, ou pretender viver sem receber vida de Deus, a reconciliação com Deus implica o caminho oposto.

Seguir a Jesus, atravessando a morte e voltando à vida, implica rendição a Deus: “Eu não tenho forças, não tenho autossuficiência, não sou um ser auto­existente, quero seguir a Jesus por esse caminho de morrer, ressuscitar e experimentar a verdadeira vida. Eu quero morrer para mim e viver para Deus”.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 20.
Transcrição: Deivid Liberto

sábado, 14 de janeiro de 2017

TALMIDIM 014

Palavra: Deificação

Ele [Deus] nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina.

2Pedro 1.4

Aos talmidim de Jesus Cristo não basta a ambição de serem iguais a seu Mestre e se tornarem iguais a ele apenas em caráter e estilo de vida. Seguindo a mesma lógica do apóstolo Paulo, que disse que o propósito de Deus é transformar todos os seres humanos segundo a imagem de Jesus, de modo que a família celestial tenha muitos irmãos, o apóstolo Pedro faz uma afirmação ainda mais surpreendente: o propósito de Deus é nos fazer participantes de sua natureza divina.

Irineu de Lyon, um teólogo do século 2, disse que “Deus se tornou homem para que o homem pudesse se tornar Deus”, e que “o homem está destinado a ser pela graça aquilo que Deus é por natureza”. Basílio de Cesareia, no século 4, acreditava que “o homem é um ser que recebeu a ordem [ou o chamado, digo eu] de se tornar Deus”.

O processo de nos tornarmos participantes da natureza divina é o que os teólogos do Oriente chamam de deificação: tornar-se semelhante a Deus, tornar-se um com Deus, sendo esse o significado essencial da salvação e da redenção que Jesus oferece a seus talmidim.



Quando o Espírito de Deus se une a meu espírito, naquele momento eu passo da morte para a vida e das trevas para a luz, isto é, quando tenho a experiência do novo nascimento, isso não significa que o grande propósito da minha vida é escapar das chamas do inferno após a morte física. A redenção proposta por Jesus é nos tornarmos participantes da natureza divina. Em Jesus Cristo, Deus vem a nosso mundo, e de dentro de nosso mundo, nos leva para dentro dele mesmo, Deus.

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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 19.

Transcrição: Deivid Liberto

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

TALMIDIM 013

Palavra: Imagem

Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Romanos 8.28-29

Essas poucas palavras do apóstolo Paulo são tão conhecidas quanto mal compreen­didas. O senso comum cita o trecho como uma promessa que lembra clichês do tipo “quando Deus fecha uma porta, abre outra melhor”, “Deus escreve certo por linhas tortas”, ou ainda “Deus faz que coisas ruins se transformem em coisas boas”. A maioria das pessoas acredita que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” quer dizer que “quando acontece algum coisa ruim, é porque, secretamente, Deus está preparando algo muito melhor”.

Essas coisas podem até ser verdadeiras, mas passam longe do sentido pretendido pelo apóstolo Paulo ao escrever sua carta aos cristãos de Roma. Na verdade, o que Paulo está dizendo é que todas as coisas cooperam para o bem das pessoas que foram chamadas segundo certo propósito de Deus. E qual é o propósito de Deus ao serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele [Jesus] seja o primogênito entre muitos irmãos”.

 
Paulo está afirmando que o propósito de Deus é nos transformar segundo a imagem de Jesus. Esse é o significado do discipulado. Seguir a Jesus é andar com ele de tal maneira que na intimidade com Jesus sejamos transformados e nos tornemos iguais a ele. Esse é o desejo de Deus para nós, esse é o propósito de Deus para nossa vida. Deus não quer fazer que nossa vida seja mais confortável, e não está necessariamente ocupado em fazer que as circunstâncias e as situações de nossa vida se configurem para nossa satisfação, realização ou qualquer coisa que hoje chamamos de felicidade. O propósito de Deus é nossa transformação, cada ser humano conforme à imagem de seu Filho Jesus. Deus quer ser Pai de uma família de muitos irmãos.

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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 19.
Transcrição: Deivid Liberto

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

TALMIDIM 012

Palavra: Renascer

Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito.
João 3.5-6

Seguir a Jesus não é o mesmo que seguir um mestre de moral, uma ideologia ou uma escola de conhecimento. Também não é o mesmo que seguir um reformador social. Em português mais claro, Jesus não quer ser um grande teórico que vai ensinar a você o que fazer, como viver ou no que acreditar. Seguir a Jesus implica uma experiência de transcendência, uma abertura para o universo espiritual, para a realidade espiritual. Na linguagem da Bíblia, seguir a Jesus é passar da morte para a vida, das trevas para a luz. Você pode usar qualquer metáfora para descrever uma profunda experiência de ruptura que arremessa o ser humano para outra dimensão de existência. Jesus usou a figura de nascer de novo, nascer outra vez. Renascer.

Assim como temos nosso nascimento físico, biológico (chamado por Jesus de nascer da carne e da água), temos também o nosso nascimento espiritual (chamado por Jesus de nascer do Espírito). Existe um momento de nossa vida quando a realidade espiritual se descortina e a própria presença de Deus e do Espírito de Deus se torna uma realidade pessoal para cada um de nós.


Viktor Frankl, psiquiatra precursor da logoterapia, disse que assim como o cordão umbilical indica que nosso corpo físico veio de outro organismo físico, dentro de cada ser humano existe uma dimensão que o vincula a outro ser. Frankl chegou a dizer que a consciência é o umbigo da alma. Assim como nosso umbigo no corpo físico demonstra que temos origem em outro organismo físico, também nossa consciência demonstra que temos origem em outra consciência.

Nascer de novo é essa experiência quando o Espírito de Deus está unido a nosso espírito. A partir dessa experiência, passamos a interagir consciente e voluntariamente com o Espírito de Deus. Nesse nascer de novo nós nos rendemos a Deus e confessamos: “Eu abro mão do controle da minha vida para experimentar o teu Espírito agindo sobre o meu espírito”. Eis o maravilhoso mistério do renascer.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 18.
Transcrição: Deivid Liberto

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

TALMIDIM 011

Palavra: Perfeitos

Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.
Mateus 5.48

O talmid tem a grande ambição de ser igual a seu rabino. Ele anda tão perto de seu mestre que, ao final do dia, está coberto com a poeira dos pés dele. Assim também os discípulos de Jesus andam tão perto de seu mestre que vão se tornando cada dia mais semelhantes a ele.

Seguir a Jesus é conviver com essa ambiciosa esperança de ser igual a ele, fazer as obras que ele fez, talvez até maiores, e viver sob a influência e unção do Espírito Santo, como ele viveu. Aos poucos, o talmid de Jesus vai se tornando uma extensão e uma expressão do próprio Jesus. Como se isso não fosse pretensão suficiente, agora Jesus vem dizer que devemos ser perfeitos como é perfeito o nosso Pai que está no céu.

Jesus pronuncia essas palavras no seu célebre Sermão do Monte. Ele está ressignificando a lei de Moisés: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mt 5.43-45). Jesus inaugura um novo comportamento, baseado no amor de Deus. Ele está dizendo que se amamos somente nossos amigos e aqueles que nos parecem minimamente amáveis, não estamos sendo nada além de ordinários. Mas, quando amamos nossos inimigos e aqueles que nos perseguem, estamos nos assemelhando a Deus, que “faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” (Mt 5.45).



Este é o amor de Deus oferecido e derramado sobre todos nós, independentemente de nossos méritos. Deus nos ama não porque merecemos ser amados. Deus nos ama não porque somos dignos de amor. Deus nos ama porque é amor.

Ser “perfeito” é amar como Deus ama. Isso muda radicalmente nossa compreensão do que significa ser perfeito. O padrão de perfeição do talmid de Jesus é o Pai celestial. A perfeição do Pai reside em seu amor. Ser perfeito é amar como Deus ama. Indistintamente. Independentemente dos méritos de quem é amado. Fazer as obras maiores do que as obras feitas por Jesus implica estender o amor de Deus para além de todas as fronteiras que nos separam, inclusive e principalmente, de nossos inimigos e dos que injustamente nos perseguem.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 17.
Transcrição: Deivid Liberto