sábado, 14 de janeiro de 2017

TALMIDIM 014

Palavra: Deificação

Ele [Deus] nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina.

2Pedro 1.4

Aos talmidim de Jesus Cristo não basta a ambição de serem iguais a seu Mestre e se tornarem iguais a ele apenas em caráter e estilo de vida. Seguindo a mesma lógica do apóstolo Paulo, que disse que o propósito de Deus é transformar todos os seres humanos segundo a imagem de Jesus, de modo que a família celestial tenha muitos irmãos, o apóstolo Pedro faz uma afirmação ainda mais surpreendente: o propósito de Deus é nos fazer participantes de sua natureza divina.

Irineu de Lyon, um teólogo do século 2, disse que “Deus se tornou homem para que o homem pudesse se tornar Deus”, e que “o homem está destinado a ser pela graça aquilo que Deus é por natureza”. Basílio de Cesareia, no século 4, acreditava que “o homem é um ser que recebeu a ordem [ou o chamado, digo eu] de se tornar Deus”.

O processo de nos tornarmos participantes da natureza divina é o que os teólogos do Oriente chamam de deificação: tornar-se semelhante a Deus, tornar-se um com Deus, sendo esse o significado essencial da salvação e da redenção que Jesus oferece a seus talmidim.



Quando o Espírito de Deus se une a meu espírito, naquele momento eu passo da morte para a vida e das trevas para a luz, isto é, quando tenho a experiência do novo nascimento, isso não significa que o grande propósito da minha vida é escapar das chamas do inferno após a morte física. A redenção proposta por Jesus é nos tornarmos participantes da natureza divina. Em Jesus Cristo, Deus vem a nosso mundo, e de dentro de nosso mundo, nos leva para dentro dele mesmo, Deus.

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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 19.

Transcrição: Deivid Liberto

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

TALMIDIM 013

Palavra: Imagem

Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Romanos 8.28-29

Essas poucas palavras do apóstolo Paulo são tão conhecidas quanto mal compreen­didas. O senso comum cita o trecho como uma promessa que lembra clichês do tipo “quando Deus fecha uma porta, abre outra melhor”, “Deus escreve certo por linhas tortas”, ou ainda “Deus faz que coisas ruins se transformem em coisas boas”. A maioria das pessoas acredita que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” quer dizer que “quando acontece algum coisa ruim, é porque, secretamente, Deus está preparando algo muito melhor”.

Essas coisas podem até ser verdadeiras, mas passam longe do sentido pretendido pelo apóstolo Paulo ao escrever sua carta aos cristãos de Roma. Na verdade, o que Paulo está dizendo é que todas as coisas cooperam para o bem das pessoas que foram chamadas segundo certo propósito de Deus. E qual é o propósito de Deus ao serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele [Jesus] seja o primogênito entre muitos irmãos”.

 
Paulo está afirmando que o propósito de Deus é nos transformar segundo a imagem de Jesus. Esse é o significado do discipulado. Seguir a Jesus é andar com ele de tal maneira que na intimidade com Jesus sejamos transformados e nos tornemos iguais a ele. Esse é o desejo de Deus para nós, esse é o propósito de Deus para nossa vida. Deus não quer fazer que nossa vida seja mais confortável, e não está necessariamente ocupado em fazer que as circunstâncias e as situações de nossa vida se configurem para nossa satisfação, realização ou qualquer coisa que hoje chamamos de felicidade. O propósito de Deus é nossa transformação, cada ser humano conforme à imagem de seu Filho Jesus. Deus quer ser Pai de uma família de muitos irmãos.

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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 19.
Transcrição: Deivid Liberto

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

TALMIDIM 012

Palavra: Renascer

Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito.
João 3.5-6

Seguir a Jesus não é o mesmo que seguir um mestre de moral, uma ideologia ou uma escola de conhecimento. Também não é o mesmo que seguir um reformador social. Em português mais claro, Jesus não quer ser um grande teórico que vai ensinar a você o que fazer, como viver ou no que acreditar. Seguir a Jesus implica uma experiência de transcendência, uma abertura para o universo espiritual, para a realidade espiritual. Na linguagem da Bíblia, seguir a Jesus é passar da morte para a vida, das trevas para a luz. Você pode usar qualquer metáfora para descrever uma profunda experiência de ruptura que arremessa o ser humano para outra dimensão de existência. Jesus usou a figura de nascer de novo, nascer outra vez. Renascer.

Assim como temos nosso nascimento físico, biológico (chamado por Jesus de nascer da carne e da água), temos também o nosso nascimento espiritual (chamado por Jesus de nascer do Espírito). Existe um momento de nossa vida quando a realidade espiritual se descortina e a própria presença de Deus e do Espírito de Deus se torna uma realidade pessoal para cada um de nós.


Viktor Frankl, psiquiatra precursor da logoterapia, disse que assim como o cordão umbilical indica que nosso corpo físico veio de outro organismo físico, dentro de cada ser humano existe uma dimensão que o vincula a outro ser. Frankl chegou a dizer que a consciência é o umbigo da alma. Assim como nosso umbigo no corpo físico demonstra que temos origem em outro organismo físico, também nossa consciência demonstra que temos origem em outra consciência.

Nascer de novo é essa experiência quando o Espírito de Deus está unido a nosso espírito. A partir dessa experiência, passamos a interagir consciente e voluntariamente com o Espírito de Deus. Nesse nascer de novo nós nos rendemos a Deus e confessamos: “Eu abro mão do controle da minha vida para experimentar o teu Espírito agindo sobre o meu espírito”. Eis o maravilhoso mistério do renascer.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 18.
Transcrição: Deivid Liberto

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

TALMIDIM 011

Palavra: Perfeitos

Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.
Mateus 5.48

O talmid tem a grande ambição de ser igual a seu rabino. Ele anda tão perto de seu mestre que, ao final do dia, está coberto com a poeira dos pés dele. Assim também os discípulos de Jesus andam tão perto de seu mestre que vão se tornando cada dia mais semelhantes a ele.

Seguir a Jesus é conviver com essa ambiciosa esperança de ser igual a ele, fazer as obras que ele fez, talvez até maiores, e viver sob a influência e unção do Espírito Santo, como ele viveu. Aos poucos, o talmid de Jesus vai se tornando uma extensão e uma expressão do próprio Jesus. Como se isso não fosse pretensão suficiente, agora Jesus vem dizer que devemos ser perfeitos como é perfeito o nosso Pai que está no céu.

Jesus pronuncia essas palavras no seu célebre Sermão do Monte. Ele está ressignificando a lei de Moisés: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mt 5.43-45). Jesus inaugura um novo comportamento, baseado no amor de Deus. Ele está dizendo que se amamos somente nossos amigos e aqueles que nos parecem minimamente amáveis, não estamos sendo nada além de ordinários. Mas, quando amamos nossos inimigos e aqueles que nos perseguem, estamos nos assemelhando a Deus, que “faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” (Mt 5.45).



Este é o amor de Deus oferecido e derramado sobre todos nós, independentemente de nossos méritos. Deus nos ama não porque merecemos ser amados. Deus nos ama não porque somos dignos de amor. Deus nos ama porque é amor.

Ser “perfeito” é amar como Deus ama. Isso muda radicalmente nossa compreensão do que significa ser perfeito. O padrão de perfeição do talmid de Jesus é o Pai celestial. A perfeição do Pai reside em seu amor. Ser perfeito é amar como Deus ama. Indistintamente. Independentemente dos méritos de quem é amado. Fazer as obras maiores do que as obras feitas por Jesus implica estender o amor de Deus para além de todas as fronteiras que nos separam, inclusive e principalmente, de nossos inimigos e dos que injustamente nos perseguem.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 17.
Transcrição: Deivid Liberto

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

TALMIDIM 010

Palavra: Milagres

Digo-lhes a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai.
João 14.12

A promessa de Jesus é extraordinária. Cremos em Jesus, somos seus talmidim e ouvimos de sua boca que faríamos as mesmas coisas que ele fez, e até maiores. Isso tudo está dentro da lógica do discipulado: o discípulo quer ser igual a seu mestre, praticamente uma extensão dele. Não é menos do que isso que Jesus promete a todos nós. E não é por outro motivo que Jesus promete derramar o Espírito Santo sobre seus talmidim.

Isso está claro. O mesmo Espírito que estava sobre Jesus está também sobre seus talmidim. A grande discussão, portanto, é o que significa “obras maiores” do que as obras de Jesus. Será que vamos ressuscitar mais mortos do que Jesus ressuscitou? Será que vamos andar sobre as águas? Será que vamos transformar água em vinho? Qual é o significado de obras maiores do que as obras de Jesus?

Os teólogos propõem algumas possibilidades de interpretação. Uma delas sugere que Jesus está se referindo a milagres. Mais precisamente, à quantidade de Bíblia acreditam que Jesus se referia à qualidade dos milagres — particularmente não consigo imaginar o que isso quer dizer. Outra corrente teológica acredita que é preciso dar outra significação ao que se entende por milagre. Jesus andava sobre as águas e alimentava multidões, mas seus
 talmidim constroem cargueiros imensos que atravessam os mares para levar alimento aos pobres de outro continente, fazem cirurgias cardíacas intrauterinas, transplante de córnea e cruzam os ares em aviões supersônicos. Realmente essas são obras grandiosas.

Mas há aqueles, entre os quais eu me incluo, que acreditam que realizar obras maiores significa dar mais abrangência à ação e ao ministério de Jesus. Assim como Jesus revelou o nome e o propósito de Deus naquele restrito espaço geográfico de Israel para um pequeno número de pessoas, seus talmidim têm o privilégio de levar o evangelho para todo o mundo. Fazer obras maiores do que Jesus é estender a expressão do amor, da graça e da bondade de Deus até os confins da terra.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 16.

Transcrição: Deivid Liberto

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

TALMIDIM 009

Palavra: Pequeno Cristo

Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.
Atos 1.8

Há uma história muito interessante relatada no evangelho de João a respeito do que significa ser testemunha de Jesus. É a história de um cego de nascença, que foi curado por Jesus em um sábado. Todos os que souberam do fato ficaram intrigados com aquele milagre, porque havia uma crença arraigada entre os judeus de que alguém que nascesse cego era um amaldiçoado por Deus. Isso significava que somente Deus poderia reverter a maldição. Mas Jesus curou o cego de nascença e causou grande confusão em Jerusalém. Os mestres da lei e os fariseus foram interrogar o homem que era cego para tentar entender o que estava acontecendo. “Tudo o que eu sei é que eu era cego, e agora vejo”, disse aquele que era cego. E contou que Jesus o havia curado. Em resumo, é isto o que as pessoas geralmente pensam ser o trabalho de uma testemunha de Jesus: contar o que Jesus fez em sua vida.

Entretanto, não é esse o conceito de testemunha que Jesus tem em mente quando promete o derramamento era uma pessoa cheia do Espírito Santo. Por que, então, Jesus afirma que precisamos ser cheios do poder do Espírito Santo para que possamos ser suas testemunhas?


Ariovaldo Ramos me ensinou a resposta. Ser testemunha de Jesus não é apenas dizer o que Jesus fez em minha vida. Ser testemunha de Jesus, de fato, é ser uma expressão da pessoa de Jesus. Testemunhar de Jesus é viver de tal maneira que as pessoas vejam Jesus em mim. Foi o que aconteceu na cidade de Antioquia. Antioquia. Os talmidim de Jesus foram pela primeira vez chamados cristãos, isto é, “pequenos cristos”. Aqueles seguidores de Jesus estavam tão identificados com ele que foram confundidos com ele. Somente o poder do Espírito Santo pode nos dar essa condição extraordinária de sermos identificados com Jesus Cristo e semelhantes a ele.

O desejo de um talmid de Jesus é que o Espírito Santo o revista com poder para que ele seja de fato uma testemunha de Jesus, uma pessoa confundida com Jesus. Eis uma grande pretensão, que deve ser transformada também em oração.

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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 15.
Transcrição: Deivid Liberto

domingo, 8 de janeiro de 2017

TALMIDIM 008

Palavra: Unção

O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas-novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor.
Lucas 4.18-19


As pessoas costumam dizer que Jesus fez o que fez porque ele era Deus. “Ah, se eu fosse Deus, também andaria sobre as águas”, é o que geralmente pensam. “Eu também transformaria a água em vinho”, ou “Se eu fosse Deus, também ressuscitaria os mortos”. Mas a grande verdade do evangelho é que Jesus fez o que fez não porque era Deus, embora fosse, mas porque era o homem perfeito, e ser um homem perfeito significa ser um homem absolutamente submisso à ação do Espírito Santo de Deus. Jesus fez o que fez não porque era Deus, mas porque era homem cheio do Espírito Santo.

Nesse sentido, Jesus foi o que Adão deveria ter sido: um homem sem pecado, no mais profundo do significado que a Bíblia atribui ao pecado. Pecado, conforme a Bíblia nos ensina, não é simplesmente roubar, matar ou mentir. Pecado é o estado de rebeldia do ser humano contra Deus. A narrativa bíblica registrada em Gênesis diz que o pecado se instala na história humana quando o primeiro casal — Adão e Eva — come da árvore do conhecimento do bem e do mal. “A partir de agora eu cuido da minha vida” é o que o ser humano diz a seu Criador. “Você não tem nada a ver comigo, quem vai dizer o que é certo ou errado, o que é bem e o que é mal, sou eu.” Isso é o que a Bíblia conceitua como pecado: a pretensão de independência e autonomia do homem em relação a Deus. Isso enche de significado e imprescindível importância a declaração de Jesus: “Eu sou Filho de Deus, e estou absolutamente rendido e obediente ao Espírito Santo de Deus, que me ungiu”. Em outras palavras: “Adão se rebelou contra Deus, mas eu me submeti absolutamente a Deus. Adão pretendeu ser independente de Deus, mas eu escolhi ser absolutamente dependente do Espírito Santo de Deus, que está sobre mim”.




A unção a que Jesus se refere tem pelo menos três significados: autoridade, legitimidade e capacitação. A mesma autoridade que tinha Adão para sujeitar a terra e dominar sobre a criação; a legitimidade de quem é de fato Filho de Deus; e a capacitação que somente quem é movido pelo Espírito Santo pode ter. Autorizado, legitimado e capacitado pelo Espírito Santo, Jesus é quem é, e faz o que faz.

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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 14.
Transcrição: Deivid Liberto