quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

TALMIDIM 005

Palavra: Rendição

Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens.
Mateus 4.19

O talmid de Jesus é um aprendiz absolutamente submisso a seu Mestre. O discípulo de Jesus obedece a Jesus. Foi essa a grande lição que Pedro aprendeu — na verdade, viveu — no encontro que teve com Jesus na experiência da pesca maravilhosa. A grande questão é que quando tentamos obedecer a Jesus, percebemos, e isso acontece bem depressa, que não conseguimos obedecer completamente, e também não conseguimos obedecer a tudo o que ele manda. Na melhor das hipóteses, quando conseguimos obedecer, não conseguimos obedecer perfeitamente.

No caminho da obediência a Jesus, deparamos com nossa condição humana — com o fato de sermos como bonecos de pano diante de um ser humano de verdade. Descobrimos que não conseguimos, com nossas próprias forças e capacidades, fazer tudo o que Jesus quer que façamos, e muito menos ser tudo o que ele quer que sejamos.

Essa é a angústia, por exemplo, do apóstolo Paulo. Escrevendo aos cristãos de Roma, ele diz: “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Miserável homem que eu sou!”. Essa é uma experiência humana universal e atemporal. Essa é a maneira como a Bíblia descreve a condição humana. A grande evidência de que somos semelhantes a um boneco de pano é o fato de não conseguirmos fazer uma coisa simplesmente porque sabemos que ela deve ser feita ou porque a desejamos fazer.

Essa também é a razão por que o evangelho de Jesus é uma boa notícia. O convite de Jesus é um grande alívio para todos os que desejam andar nos caminhos da vontade de Deus: “Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens”. É como se Jesus dissesse: “Não depende de suas forças, não é algo que depende de sua capacidade, venha comigo e eu, Jesus, farei de você uma pessoa extraordinária, eu, Jesus, farei de você uma pessoa diferente, eu, Jesus, transformarei você”.

Enquanto andamos com Jesus, em rendição e obediência, ele vai nos transformando. Isso é o evangelho. A religião diz que você tem de fazer isso, aquilo e aquilo outro. E você tenta, mas não consegue. Tudo o que você consegue é se frustrar, experimentar uma culpa muito grande e um senso de inadequação quase que absoluto diante de Deus. Jesus diz para você: “Venha comigo, eu transformo sua vida”.

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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 11.

Transcrição: Deivid Liberto

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

TALMIDIM 004

Palavra: Obediência

Mestre, esforçamo-nos a noite inteira e não pegamos nada. Mas, porque és tu que está dizendo isto, vou lançar as redes.
Lucas 5.5

Enquanto Jesus estava na praia ensinando a multidão, o coração de Pedro foi se enchendo de assombro e encantamento. Ele estava diante de um mestre jamais visto antes em Israel. Aos poucos Pedro vai reconhecendo a santidade e a majestade de Jesus. Pedro foi percebendo que, comparado a Jesus, ele não passava de um bonequinho de pano. Então Jesus dá uma ordem: “Leve o barco mais ao fundo e lance as redes”. Pedro responde: “Nós pescamos a noite toda, somos pescadores, conhecemos esse mar e podemos dizer que a maré não está para peixe, mas, como és tu quem está dizendo isto, vou lançar as redes”. O que é isso? Obediência.

                No discipulado de Jesus, a palavra obediência é fundamental. O reconhecimento da autoridade, da grandeza, da sabedoria, e principalmente, da distância entre aquilo que somos e aquilo que Jesus é deve nos conduzir a obediência. Obedecer a Jesus é a essência do discipulado. Ser um talmid de Jesus implicada o compromisso de obedecer a Jesus.

                Obediência é algo muito difícil. Lembro-me de quando tive de ensinar meus filhos a obedecer. Meu filho, por exemplo, me dizia que não era possível obedecer a uma ordem que ele não entendia ou com a qual não concordava. E eu me vi em dificuldades, porque no fundo, no fundo, ele tinha razão. Quando você obedece a uma ordem com a qual você concorda e uma ordem a qual entende, então você não está obedecendo, você está sendo razoável. Você esta sendo obediente quando diz: “Olhe, eu não entendi, ou não concordei, se entendi não concordei, mas porque reconheço sua autoridade, vou obedecer”. Foi como Pedro se comportou em relação a Jesus. Isso é obedecer.

                No seguimento de Jesus a obediência é essencial. Quem quer ser discípulo de Jesus, quem quer andar aos pés de Jesus, quem quer se deixar cobrir com a poeira dos pés de Jesus, precisa obedecer.

                É no caminho da obediência, reconhecendo a autoridade de Jesus, que somos transformados e nos tornamos pessoas exatamente iguais a ele. Enquanto não estivermos dispostos a obedecer, continuaremos sendo a mesma pessoa que sempre fomos. É no caminho da obediência que Jesus nos transforma e nos faz pessoas semelhantes a ele.

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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 10.
Transcrição: Deivid Liberto

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

TALMIDIM 003

Palavra: Distância

Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador! (Lucas 5.8)


A grande ambição de um discípulo é ser igual a seu mestre. A grande ambição de um talmid é ser igual a seu rabino. Essa também é nossa ambição como discípulos de Jesus. O que queremos é mais do que saber o que ele sabe ou fazer o que ele faz. O que queremos mesmo é nos tornar pessoas iguais a ele.

Quando nos encontramos com Jesus, a primeira consciência que adquirimos é a da absoluta distancia que existe entre nós e ele., entre quem é Jesus e quem nó somos. É essa a experiência de Pedro. Após uma noite inteira de tentativas frustradas de pesca, Jesus entra em seu barco e ordena que ele e seu irmão André lancem as redes. O resultado é uma pesca extraordinária. Então, ocorre uma mudança no coração de Pedro. É nessa hora que ele toma noção da grandeza e majestade de Jesus. Nesse momento Pedro cai ao chão e diz: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador!"

Essa distância que temos de Jesus não é uma distância meramente moral. Também não é uma distância de inteligência ou de poder e capacidade. Na verdade, essa distância é uma distância de ser, de natureza de ser, que os filósofos e teólogos vão chamar de distância ontológica. É mais ou menos a distância que existe entre um boneco e um homem, entre uma boneca e uma mulher. Ser pecador, como percebeu Pedro, não é uma questão de roubar ou não roubar, mentir ou não mentir, matar ou não matar. Esse conceito de pecado fala a respeito de comportamento, e trata de ética e moral.

O conceito de pecado na bíblia é um pouco mais profundo que isso. Na lei de Moisés o pecador era o que você fazia ou deixava de fazer. Jesus muda o enfoque e ensina que pecado é aquilo que você carrega dentro de seu coração, suas intenções, suas motivações - você pode matar não matar uma pessoa, mas, se a odeia, isso já é pecado. Paulo, porém, vai dizer o seguinte: pecado não é nem o que eu faço ou deixo de fazer, nem as intensões que tenho ou deixo de ter, pecado é o que eu sou. Ele grita desesperado: "Miserável homem que sou! Que me libertará do corpo sujeito a esta morte?" (Rm 7.24).

Foi para pessoas como Pedro, Paulo, você e eu que Jesus veio. Jesus veio, tornou-se um de nós, porém sem pecado, isto é, sem perder a pureza de sua natureza divina. Entre nós, Jesus nos chama para andar com ele, para que, andando com ele, sejamos completamente transformados, e a distância que faz de nós bonecos de pano diante do Homem de verdade, que é Jesus, deixe de existir. Um dia seremos pessoas iguais a ele.


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Referência do texto:
KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 9.

Transcrição: Deivid Liberto

TALMIDIM 002

Palavra: POEIRA

“Jesus subiu ao monte e chamou a si aqueles que ele quis, os quais vieram para junto Dele. Escolheu doze […] para que estivessem com Ele” (Marcos 3.13-1)

Os rabinos antigos tinham um ditado para os meninos talmidim: “Cubram-se com a poeira dos pés de seu rabino”. Um talmid deveria seguir seu mestre tão de perto, andando bem atrás dele, a ponto de, ao final do dia, estar coberto com a poeira dos pés do rabino.
O que os rabinos estavam querendo dizer é o seguinte: “Observe atentamente, ouça com atenção tudo o que seu mestre diz, não perca nenhum detalhe da vida de seu mestre, porque ele, o seu rabino, é o modelo do homem que você está se tornando.

Essa é a essência do discipulado de Jesus. Seguir a Jesus implica prestar atenção Nele, olhar atentamente para tudo o que Ele faz, ouvir o que Ele diz, perceber os milagres que Ele realiza, imaginar e dar atenção à maneira como Jesus se relaciona com Seu Pai, como fala com Ele, porque a grande ambição de um talmide ser igual a seu Mestre. Essa é nossa grande ambição: tornarmo-nos pessoas iguais a Jesus.

Quando me tornei discípulo de jesus, imaginei que fosse apenas mudar de religião, e que isso implicaria acreditar em algumas coisas nas quais antes eu não acreditava, ou então participar de determinados rituais religiosos dos quais antes eu não participava. Imaginei, inclusive, que a grande questão de meu relacionamento com Jesus era que eu deveria abraçar um novo código moral e que meu discipulado com Jesus era apenas uma questão ética. Além disso, eu imaginava que poderia contar com Seus favores para resolver meus problemas cotidianos, afinal, Jesus é mestre em milagres.

Mas com o passar do tempo, fui percebendo que o chamado de Jesus era muito mais profundo. Ele queria que eu me tornasse outro tipo de pessoa. Um tipo de pessoa exatamente igual a Ele. Foi por isso que, quando Jesus chamou seus discípulos, os chamou para que estivessem com Ele. Somente a proximidade gera intimidade. Na intimidade com Jesus somos transformados.
Para que sejamos talmidim de Jesus, para que sejamos seus seguidores, precisamos andar muito perto Dele. Precisamos deixar que a poeira dos pés de Jesus nos cubra.
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Referência do texto:
KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 8.

Transcrição: Deivid Liberto

TALMIDIM 001

Palavra: TALMIDIM

Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas almas. Pois meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus 11.28-30)

Os meninos em Israel começavam a estudar a Torá aos 6 anos. A Torá era a lei de Moisés, o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Aos 10 anos, ao final do primeiro ciclo de estudos chamado Beit Sefer, esses meninos já haviam decorado o Torá. A partir daí alguns voltavam para casa e aprendiam o ofício da família, mas os que se destacavam continuavam num segundo estágio, o Beit Talmud. 

Continuavam frequentando a escola judaica e estudavam sob a orientação de um rabino, que os adotava para lhes ensinar mais profundamente a Torá e suas escolas de interpretação. Esses meninos extraordinários eram chamados de talmidim, plural da palavra hebraica talmid, que o Novo Testamento traduz como discípulo.

Os meninos talmid eram a elite intelectual de Israel. Aos 12 anos já haviam decorado todas as escrituras: os livros históricos, os livros poéticos, os livros de sabedoria, e todos os livros proféticos. Aos 14, debatiam a tradição oral, isto é, a interpretação dos rabinos a respeito da lei. Dedicavam a vida à discussão de como colocar em prática a lei de Moisés.

Cada rabino tinha sua forma de interpretar a Torá. O conjunto de regras e interpretações de um rabino era chamado de “o jugo do rabino”. Por exemplo, no tempo de Jesus existiam dois rabinos muito famosos e conceituados, Hilel e Shamai, e cada um possuía um jugo, isto é, uma interpretação do Torá, e seus talmidim. É exatamente nesse contexto que Jesus diz: “Eu também tenho um jugo, também tenho uma forma de interpretar o Torá, também tenho uma forma de dizer qual é a vontade de Deus, também tenho uma interpretação para lhes ensinar como Deus deseja que vocês vivam”.

Mas Jesus é diferente dos rabinos de sua época. Ele diz: “Os rabinos colocam sobre os seus ombros um jugo pesado, exigências absurdas, mas o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Ele faz um convite: Seja meu talmid, faça parte do meu grupo de talmidim. O convite de Jesus se estende a todos e não apenas aos extraordinários. Jesus convida pessoas como você e eu. Não importa quem você é, não importa a idade, sexo, classe social, o momento de vida em que você está, não importa seu passado, não importa nem mesmo sua religião. Jesus está chamando você para andar com ele e ser um de seus discípulos.


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Referência do texto:
KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 7.

Transcrição: Deivid Liberto

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Cuidado para não estragar sua vida


“[...] vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, “remindo o tempo”, porquanto os dias são maus”. (Efésios 5.15-16).

Diariamente julgamos que algumas pessoas têm mais beleza do que outras; que outros têm talento acima da média; também é sabido que alguns têm mais oportunidade ou condição social melhor do que outros, alguns mais recursos financeiros, em diversas coisas e áreas da vida, alguns mais e outros menos, porém existe algo que independente de esforços, status ou de qualquer outra condição, é universal e distribuído a todos diariamente da mesma forma e proporção. Já conseguiu desvendar do que se trata?



O Tempo, o único ativo que é igual para todos na face da terra e nivela a todos. Quer seja na vida profissional, estudantil ou até mesmo em nossas relações sociais, o tempo deve ser utilizado com sabedoria e prudência, pois assim como um rio que segue seu percurso, toma seu caminho, e não retorna devolvendo suas águas à sua nascente, assim também é dinâmica do tempo, o que passou, passou, não volta mais.
Uma das perguntas que mais se ouve na contemporaneidade é: “Não tenho tempo”, mas como vimos anteriormente, cada um de nós recebemos diariamente a mesma quantidade. Por que é então que alguns conseguem administrar melhor a sua porção?
Apesar de ouvirmos costumeiramente a frase: “Tempo é dinheiro”, precisamos entender que tempo é uma “questão de vida”, e como o tempo perdido não se pode ter de volta, temos a sensação de ter perdido vida ao perceber que gastamos tempo com algo que não lhe trouxe benefício algum. Isso se dá pelo fato de que muitas vezes não valorizamos o tempo, menosprezamos seus marcadores e suas frações, não conseguimos enxergar a importância de cada milésimo de segundo, e para entender estes valores, basta tomar ciência dos fatos abaixo que conseguirá aferir o valor de cada divisão de tempo que fazem parte de nossas rotinas:

Converse com um colega seu que foi reprovado e saberá o valor dos mais de 360 dias de um ano, ou pode ser até que essa sensação faça parte de sua vida; bata um papo com uma mãe, ao qual teve um bebê que nasceu prematuramente e entenderá a importância de um mês. Quanta diferença nos cuidados e apreensões faria mais um mês de gestação, tanto para a mãe como para a criança; fale com o editor de uma revista semanal e irá notar como ele valoriza cada fração de tempo de uma semana, pois o ciclo se fecha e se repete com uma enormidade de trabalho a ser realizado dentro de tão pouco tempo; tenha um diálogo com uma diarista que depende do salário daquele de um dia para colocar comida na boca dos filhos. Se ela perde esse dia, não recebe o seu pagamento; pense em como uma hora passa de pressa quando você está com a sua namorada, ou como ela demora a chegar, quando você a está esperando em um encontro marcado; não interrogue ninguém que perdeu um voo ao chegar “apenas” um minuto após a porta de embarque ter fechado, pois você poderá ser surpreendido com tamanho irritação. Por fim, para aferir o valor de um segundo faça uma entrevista com algum atleta que deixou de ganhar o primeiro lugar por que o oponente chegou “apenas” um segundo na frente dele, ou até com uma fração decimal, centesimal, ou milésima de um segundo.

Precisamos a cada instante nos conscientizar de que o valor que damos ao tempo presente, a forma com a qual nos relacionamos com ele e as ações que tomamos pode e irá definir as consequências no tempo futuro, pois tempo perdido se transformam em oportunidades perdidas.
Você sabia que algumas pessoas passam horas navegando na internet, em redes sócias, em comunicações sem valor e qualidade e quando percebem já perderam 20 minutos, ou até mesmo algumas horas sem perceber o tempo em que ali ficaram e somente ao final se dão conta gastaram tempo com futilidades, ao passo que poderiam ter eliminado atividades que ainda terão que dedicar tempo? Desperdiçamos tempo de várias outras formas, com as mais diversas distrações, com as mais variadas atividades, perdendo o foco do que de fato deveríamos estar dedicando esforços, e isso vale até para o tempo de descanso, pois com a desorganização de nossas rotinas, não cultivamos tempo apropriado para o sono, e no dia seguinte, tudo vai de mal a pior.
Cada uma dessas situações significa perda de tempo, e assim você vai desperdiçando a vida, mesmo se se enquadra minimamente em alguma delas. Você pode ir até se enganando, achando que está aproveitando o tempo, aproveitando a vida, em coisas que não constroem, mas antes que você se aperceba, pode esbarrar na expressão inevitável e imutável: “Game Over”! A brincadeira um dia termina e a conta do pedágio pode ser alta demais e impagável.
Mas saiba que quando falamos de “não perder tempo”, não estamos dizendo que todo lazer é perda de tempo. Muito pelo contrário, dentre as diversas possibilidades que temos na vida, o lazer é o que temos de melhor, Deus nos proporcionou essas experiências, porém, há um fator decisivo para que consigamos administrar todas as nossas relações e dedicar o tempo apropriado a família, os cuidados pessoais, amigos, profissão, estudo e etc., e este fator é o que chamamos de “prioridade”, pois em cada fase de nossas vidas, nossas prioridades se alteram de acordo com as decisões que tomamos e com isso tendemos a dedicar tempo a aquilo que nos é prioritário. A questão é que não podemos transformar a diversão na prioridade de nossas vidas e muito menos nos deixarmos levar pela dissolução social e moral.

Resgatando o tempo

Frequentemente falamos sobre “falta de tempo”, “perder tempo”, “gastar tempo”, “passar o tempo”; mas você já ouviu falar de se resgatar o tempo? A princípio precisamos identificar quem ou o que nos está roubando o tempo. Faça a sua própria relação relacionando as coisas que estão subtraindo o tempo de sua vida.
Resgatar o tempo foi uma expressão utilizada pelo apóstolo Paulo quando inocentemente foi preso, onde soubera muito bem o valor do tempo e o quanto custava perdê-lo. O mesmo escreveu as seguintes palavras: “[...] vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, “remindo o tempo”, porquanto os dias são maus”. (Efésios 5.15-16).
A expressão remir, significa exatamente “resgatar” e Paulo a usa com sabedoria, pois a todo momento estamos rodeados de salteadores que nos sequestram o nosso tempo, e sabemos que tempo é vida, e se algo ou alguém está sequestrado seu tempo, este tem sequestrado sua vida e tem você como refém e o preço do resgate é a sua conscientização da importância do tempo, a coragem para tomar decisões importantes, a adoção de uma perspectiva de vida fundamentada na verdade, a percepção de que a vida não pode ser desperdiçada.
O texto também nos orienta quanto a questão de andar de forma prudente como pessoas sabias, ou seja, tomar decisões acertadas, fazer o máximo possível para agir, diante das diversas ofertas da vida, com sabedoria, pois as decisões erradas, podem acarretar não somente em pequenas surpresas negativas, mas como também em grandes consequências ruins, pois os dias são maus.
Precisamos ter consciência disso e tomar cuidado para não estragar nossas vidas, preservando o tempo, valorizando o tempo e restando o tempo que nos é roubado pelas várias distrações da vida. Salamão, o grande sábio, nos alertou a lembrar de Deus, ainda nos dias de nossa juventude (Eclesiastes 12.1) e recomendo que o faça ainda hoje através de seu filho Jesus. Através dele, temos acesso ao Criador e Ele pode nos dar a direção de quais caminhos trilhar, pode nos dar condições de tomar as decisões acertadas e a cuidar para que seu tempo não seja sequestrado e se for, que você tenha condições de remi-lo. Ele pode abençoar os seus passos na direção de uma vida proveitosa. Não perca mais tempo, não estrague sua vida!
Que Deus te abençoe!

Resumo de um dos textos da série: “Dialogando com o jovem universitário” lançado em fevereiro de 2016 pela Universidade Presbiteriana Mackenzie dedicado aos alunos da universidade.
Texto: Tempo Perdido: Cuidado para não estragar sua vida
Autor: F. Solano Portela
Resumo: Deivid Liberto

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A preciosidade do tempo - A história do bebê Isaac Joseph Schmall

A realidade é que o tempo é tão precioso que uma vida que dura quatro minutos pode ter um impacto fenomenal em inúmeras pessoas. Isso aconteceu com o bebê Isaac Joseph Schmall, que nasceu em 10 de novembro de 2008. Seus pais sabiam que a gravidez era problemática. O bebê Isaac tinha uma doença rara chamada Trissomia 18, ou Síndrome de Edwards. Isso quer dizer que em cada célula do seu corpo ele tinha uma cópia extra do 18º cromossomo. Três cromossomos, em vez dos dois existentes em uma concepção e desenvolvimento normal. Bebês com essa deficiência geralmente não sobrevivem o período de gestação, alguns falecem após o parto.

Isaac morreu 4 minutos após o nascimento. Seus pais o tiveram em seus braços nesse curto período de tempo. John Schmall, o pai, descreveu o impacto da notícia, as agruras do acompanhamento da gravidez, e, principalmente, a emoção de tê-lo nos braços por aquele pequeno espaço de tempo em um texto que tem rodado a Internet: “Quatro minutos que mudaram a minha vida para sempre”! John descreveu como esses quatro minutos mudaram a sua perspectiva de vida dali em diante. Mais recentemente, em 2013, sua esposa indicou o efeito causado nela por aqueles minutos e por aquela pequena vida, com um longo texto, publicado no blog do esposo. Nele ela escreveu:


Isaac viveu por quatro minutos, mas o impacto que ele causou nesse espaço de tempo é palpável. Deus me deu 35 anos de vida. Isso faz com que eu queira extrair o máximo desses anos. Desperto todos os dias agora e agradeço a Deus por me dar mais um dia de vida, no qual posso desfrutar de minha família, do meu trabalho, da minha igreja, de minha cidade e, principalmente, do meu relacionamento com Ele.

O relato dos pais de Isaac tem tocado vidas ao longo dos anos e canalizado recursos e esforços para a Fundação Trissomia 18, que estuda a enfermidade. O valor que eles conseguiram enxergar nesses 4 minutos de vida é um testemunho à preciosidade do tempo.

Normalmente não damos muito valor ao tempo, ou aos seus marcadores: segundos, minutos, horas, dias, meses, anos. Vamos levando a vida sem pensar nessa questão, até como se fôssemos viver para sempre. Mas cada intervalo de tempo tem um valor inestimável. Reflita:


Para aferir o valor de um anopergunte a um colega seu que foi reprovado – ou pode ser até que essa sensação faça parte de sua vida. Tudo que aconteceu durante todo um ano que passou, terá que ser repetido, para que a vida estudantil continue, mas o tempo aplicado não será recuperado.

Para aferir o valor de um mêspergunte a uma mãe de um bebê que nasceu prematuramente. Quanta diferença nos cuidados e apreensões faria mais um mês de gestação, tanto para a mãe como para a criança.

Para aferir o valor de uma semanafale com o editor de uma revista semanal. Note como ele valoriza cada fração de tempo daquela semana, pois o ciclo se fecha e se repete com uma enormidade de trabalho a ser realizado dentro de tão pouco tempo.

Para aferir o valor de um diafale com uma diarista que depende do salário daquele dia para colocar comida na boca dos filhos. Se ela perde aquele dia, não recebe o seu pagamento.

Para aferir o valor de uma horapense como ela passa rápido quando você está com a sua namorada, ou como ela demora a chegar, quando você a está esperando em um encontro marcado.

Para aferir o valor de um minutopergunte a alguém que perdeu um voo porque chegou “apenas” um minuto após a porta de embarque ter fechado.

Para aferir o valor de um segundopergunte a algum atleta que deixou de ganhar o primeiro lugar por que o oponente chegou “apenas” um segundo na frente dele, ou até com uma fração decimal, centesimal, ou milésima de um segundo. 


Leia Eclesiastes 3

(Trecho do Texto de F Solano Portela, extraído do livreto "Tempo perdido: Cuidado para não estragar sua vida" lançado em 01.02.2016, pela Chancelaria da Universidade Presbiteriana Mackenzie)