quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

TALMIDIM 056

Vocês também ouviram o que foi dito aos seus antepassados: “Não jure falsamente, mas cumpra os juramentos que você fez diante do Senhor”. Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma [...]. Seja o seu “sim”, “sim”, e o seu “não”, “não”; o que passar disso vem do Maligno.
Mateus 5.33-34-37
SIM, SIM E NÃO, NÃO

Quando eu era menino, lembro-me de ter usado muitas vezes a frase “Juro pela minha mãe mortinha”. Jurar colocando em risco a vida da mãe era uma espécie de “garantia” de que estávamos falando a verdade mais verdadeira.

A questão do juramento, em qualquer idade e cultura, nos remete à necessidade de falar a verdade. Mas Jesus vai além e afirma que dizer a verdade é apenas uma parte de nosso caráter, que tem a ver não apenas com nossas palavras, mas também com nossas intenções e ações. Jesus não está apenas dizendo “Não jure falsamente” ou “Trate de cumprir aquilo que você jurou a Deus”, como ordenava a lei de Moisés. O ensino de Jesus é que não juremos de forma alguma. Ele está recomendando que o nosso “sim” seja realmente “sim”, e o nosso “não” seja realmente “não”. Jesus nos ensina que não precisamos invocar uma autoridade maior para dar credibilidade a nossas palavras. O importante é jamais falar da boca para fora, jamais prometer o que não estamos dispostos ou aptos a cumprir. “Não jure nada”, orienta Jesus. “Apenas viva com integridade, e as pessoas saberão que seu ‘sim’ é sim e seu ‘não’ é não”.

Jesus propõe uma relação de absoluta harmonia entre nossos pensamentos, palavras e ações. Os talmidim de Jesus devem ser íntegros — ou seja, não podem pensar uma coisa, falar outra e fazer uma terceira. Jesus nos chama a integridade de pensamentos, palavras e ações. Os discípulos de Jesus são pessoas inteiras — íntegras.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 62.

Transcrição: Deivid Liberto

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

TALMIDIM 055

Foi dito: “Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio”. Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério.
Mateus 5.31-32
DIVÓRCIO

A lei de Moisés obrigava o homem que não desejasse mais permanecer casado a entregar à mulher uma certidão de divórcio. Isso significava que ele estava abrindo mão de qualquer direito de posse — na cultura semita a mulher era propriedade do homem; o casamento e o divórcio eram regulamentados por transações econômicas. A mulher repudiada pelo marido e que não recebesse a certidão de divórcio permanecia vinculada economicamente a ele, e quem quisesse se casar com ela deveria indenizar o marido. Por essa razão, o profeta Malaquias disse que Deus odeia o repúdio. Não era justo repudiar uma mulher sem dar a ela uma carta de divórcio.

Ao ser questionado sobre o divórcio, Jesus relembra esse princípio da lei que estabelece a distinção entre repúdio e divórcio, e deixa claro que o padrão moral de seus talmidim implica a relação de justiça, especialmente e Shamai. O rabino Hilel defendia que qualquer motivo poderia legitimar um divórcio. Shamai, entretanto, afirmava que apenas a imoralidade sexual justificava o divórcio. Jesus concordou com Shamai.

Jesus sabe que a relação conjugal implica ser uma só carne, e que o casamento é usado pelos profetas como figura do relacionamento entre Yahweh e Israel (o Novo Testamento usa a mesma figura para a relação entre Cristo e a Igreja). A relação de “uma só carne” nos assemelha a Deus, que é plural: Pai, Filho e Espírito Santo. Mas, ao mesmo tempo, é uma unidade indissociável: três pessoas, mas um Deus. Assim é o casal: uma unidade plural, duas pessoas, mas uma só carne. Eis por que a relação homem e mulher é sagrada e por que Jesus ensina a preservação dessa unidade a qualquer custo.

A lei do divórcio, criada para promover relacionamentos de justiça entre os casais e possibilitar a criação de vínculos de amor, sem abusos nem crueldades, é absolutamente para uma sociedade como a nossa, que banalizou as relações entre masculino e feminino e profanou a sacralidade do sexo.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 61.

Transcrição: Deivid Liberto

TALMIDIM 054

Vocês ouviram o que foi dito: “Não adulterarás”. Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.
Mateus 5.27-28
FANTASIA

Jesus continua buscando um significado profundo da lei de Moisés e mostrando a seus talmidim que a lei não é mera questão comportamental, pois o comportamento é secundário em relação aquilo que ocupa a interioridade humana. Para Jesus, a essência da Torá implica uma profunda mudança interior. “Vocês sabem que não devem adulterar”, diz Jesus a seus talmidim. “Mas o olhar impuro é tão danoso quanto o adultério, e é suficientemente prejudicial para as pessoas envolvidas nesse jogo”.

Naturalmente, Jesus não condena a apreciação do que é belo ou a experiência do despertar do desejo entre um homem e uma mulher. Isso não é condenável. Jesus fala contra aquele olhar que transforma um ser humano em objeto, que despersonaliza um semelhante, esvazia o ser humano de sua dignidade e o reduz a uma coisa que se presta unicamente ao prazer de quem olha e deseja.

Jesus está se referindo a determinado nível de nossas fantasias mais profundas e às pessoas que ocupam resulta no arrebatamento do outro para o mundo da fantasia, faz que a gente saia da realidade e viva num mundo em que o desejo se torna o grande imperador. Um mundo em que os apetites e instintos mais egocêntricos do corpo e da alma exigem ser satisfeitos a todo e qualquer custo. Jesus está denunciando a fantasia que se transforma em escravidão.

Jesus nos ensina que não basta fazer ou deixar de fazer. É preciso desmascarar as fantasias que povoam a imaginação, nos tiram da realidade e transformam nossos semelhantes em coisas.

Peça a Deus um coração capaz de olhar as pessoas como pessoas e jamais esvaziá-las de sua dignidade, transformando-as em meros objetos de prazer.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 60.
Transcrição: Deivid Liberto

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

TALMIDIM 053

Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: “Não matarás”, e “quem matar estará sujeito a julgamento”. Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: “Racá”, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: “Louco!”, corre o risco de ir para o fogo do inferno. Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta. Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho, pois, caso contrário, ele poderá entregá-lo ao juiz, e o juiz ao guarda, e você poderá ser jogado na prisão. Eu lhe garanto que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo.
Mateus 5.21-26
CUSPE

Assim como Moisés compareceu diante da comunidade de Israel, vindo do monte Sinai onde recebera as tábuas da Lei, Jesus se comporta no Sermão do Monte como um novo Moisés. Jesus está aprofundando a interpretação da lei de Moisés e, como os rabinos de sua época, trazendo sua própria interpretação da lei. Jesus está apresentando seu jugo. Para exemplificar sua compreensão do propósito da Torá, reinterpreta um dos dez mandamentos: “Não matarás”.

Jesus diz que não basta deixar de matar, o que interessa a Deus é o que se passa dentro do nosso coração. Não matamos, mas odiamos, chamamos de louco, de “racá”. Alguns especialistas dizem que “racá” é aquele som gutural que produzimos quando estamos prestes a escarrar. É um xingamento horrível chamar uma pessoa de “racá”, porque significa que vamos expelir e lançar alguém fora de nossa vida. Cuspir um ser humano, segundo Jesus, é um pecado comparado ao assassinato.

Deus se importa menos com o modo como nos comportamos aparentemente do que com aquilo que há dentro de nós. O propósito da lei não é servir como um conjunto de regras comportamentais, mas compartilhar com o ser humano o caráter e o coração de Deus. E no coração do Pai não há espaço para matar ou odiar, e tampouco espaço para cuspir alguém como uma excreção. O que há é reconciliação, compaixão e perdão. Um coração como o nosso deve ser.

Cuide do seu coração. Não matar não basta. É preciso aprender a perdoar, oferecer oportunidade de reconciliação, viver em paz com todos ao redor. Peça a Deus um coração incapaz de cuspir um semelhante para longe de sua vida. Os filhos de Deus são pacificadores.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 59.

Transcrição: Deivid Liberto

TALMIDIM 052

Não pense que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. [...] Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus.
Mateus 5.17-20
JUSTIÇA

Jesus é o “Filho de Deus” porque é também o “primogênito entre muitos irmãos”, a representação de toda a humanidade. Ele contém tanto Adão (não sem razão, o apóstolo Paulo o chama de “segundo Adão”) como toda a nação de Israel, pois o Antigo Testamento diz que Israel é uma nação associada ao filho de Deus: “Do Egito chamei o meu filho”, diz Mateus (2.14), numa citação do profeta Oseias, assemelhando Israel a Jesus.

Jesus faz irromper o reino de Deus na história. No Sermão do Monte ele convoca toda a humanidade a se tornar conforme o propósito original de Deus. E também exorta a comunidade de Israel, a quem ele se dirige, a atingir sua plenitude. Esse é o significado de “eu vim cumprir a lei”. Cumprir a lei é muito mais do que obedecer aos mandamentos de Moisés. Cumprir a lei é assumir a lei como expressão do caráter e do propósito de Deus e encarnar em si mesmo esse caráter e propósito para toda a criação. Jesus é o Homem que todo homem deveria ser. Jesus traz para a história o reino de Deus como modelo para toda e qualquer sociedade humana.

Por essa razão, Jesus afirma que a justiça de seus discípulos deve ser “muito superior” à dos religiosos de sua época. Os religiosos, de modo geral, entendem a lei como simples conjunto de mandamentos e regras. Jesus avisa que seus talmidim não vivem meramente para obedecer a mandamentos. A mensagem dele não pode ser reduzida a um novo código de comportamento ou padrão de procedimento moral na sociedade. Os discípulos de Jesus encarnam um novo tipo de ser humano — semelhante ao próprio Jesus. E por isso vivem de maneira diferente. Vivem segundo a justiça de Deus.

Jesus é a plenitude da expressão de Deus no mundo, e nesse sentido é que cumpre a lei. Em comunhão com Jesus, estamos também revestidos da justiça de Deus. Os discípulos de Jesus não são apenas pessoas virtuosas, pois sua grande virtude é permanecer em Cristo. São semelhantes a Jesus Cristo e, justamente por isso, vivem a justiça do Reino de Deus.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 58.

Transcrição: Deivid Liberto

domingo, 12 de fevereiro de 2017

TALMIDIM 051

Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.
Mateus 5.14-16
LUZ

Jesus comparou seus talmidim com o sal. E também com a luz. Seus talmidim são a presença iluminada de Deus num mundo em trevas. Eles apontam para o reino de Yahweh, o reino que é contrário a toda a realidade de opressão e morte que se encontra no mundo. Em outras palavras, os discípulos de Jesus apontam para o céu.

Vocês são o sal da terra. Vocês são a luz do mundo. De modo geral essa afirmação de Jesus é interpretada como se ele tivesse dito que as boas obras de seus discípulos iluminam o mundo. Mas Jesus não disse “as boas obras de vocês são a luz do mundo”. Ele disse: “Vocês são a luz do mundo”.

Jesus está ensinando que seus discípulos brilham e seu brilho ilumina tudo o que eles fazem. O que os discípulos de Jesus fazem é iluminado pelo que eles são. As boas obras iluminadas são vistas. Não havendo luz, as boas obras ficam na escuridão, e ninguém as vê.

Há muita gente fazendo boas obras no mundo. Mas nem todas as boas obras são vistas. O que isso significa? Jesus faz distinção entre as boas obras que apontam para o reino de Yahweh e as boas obras que apontam para outros reinos. Nem toda boa obra aponta para Deus, nem tudo de bom que é feito é referência ao reino de Deus ou está relacionado a Deus.

Os talmidim de Jesus são a luz do mundo. Aquilo que eles são é muito mais importante do que aquilo que eles fazem. O que eles são ilumina o que eles fazem. Eles são a luz que ilumina suas boas obras. Quando elas são vistas, resultam em adoração e gratidão ao Deus que os inspira e neles, de fato, brilha.

O que somos determina como vivemos. Assim também ensina a sabedoria popular: “O que você é fala tão alto que eu não consigo escutar o que você diz”.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 57.

Transcrição: Deivid Liberto

TALMIDIM 050

Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.
Mateus 5.13
SAL

Jesus convoca seus discípulos à revolução. Chama seus talmidim a que se comprometam com a transformação do mundo. Os talmidim de Jesus são inconformados. Jesus se levanta contra a opressão de Roma à comunidade de Israel, mas também contra qualquer símbolo de imperialismo e dominação opressora. Mas, não apenas isso: Jesus se levanta contra qualquer opressão do homem contra o homem, sabendo que isso é uma expressão das trevas contra a luz, do mal contra o bem, dos espíritos do mal contra as forças da bondade.

Jesus arranca seus talmidim desse universo de opressão. O contingente de talmidim de Jesus é composto em grande parte por gente vulnerável, pobre, sem vez e sem voz, que clama por justiça, que chora sem que ninguém se comova, e que a sociedade em geral considera um estorvo. É o tipo de gente oprimida que Jesus acredita ser a alavanca de sua revolução. A revolução do amor começa no elo mais fraco.

Jesus usa o sal como figura de linguagem porque aquela era uma imagem muito conhecida entre os judeus. Deus celebrara com Israel um pacto de sal — uma aliança de preservação que livra todas as coisas vivas da corrupção e da putrefação. O sal, na cultura semita, é um símbolo de incorruptibilidade. Aqueles que querem cooperar para a revolução de Jesus devem ser o “sal da terra”. Em outras palavras, Jesus não está em busca de homens fortes, ricos, inteligentes, bem preparados e poderosos. Ele quer homens incorruptíveis.

“Perder o sabor” — ou, em tradução literal, “enlouquecer” — é deixar-se corromper. O sal sem sabor representa a comunidade que se deixou anular, quer por covardia e medo diante de um império opressor poderoso, quer porque se vendeu de maneira conveniente aos donos do poder. Os covardes se omitem ou se vendem, aderindo ao mal. Jesus não admite, em hipótese nenhuma, que seus talmidim se acovardem e fujam da arena pública de confronto do mal. Eles devem permanecer sal, porque a esperança do mundo corrompido repousa na comunidade dos que ouviram a convocação de Jesus.
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Referência do texto: KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Página 56.

Transcrição: Deivid Liberto